quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sozinha


Essa coisa de ficar sozinha, de sentir a solidão a fundo não é nenhuma novidade pra mim. Depois do estouro que foi as nossas declarações de amor, o declínio seria o destino. Não é que não acredite no sucesso promissor dos romances declarados, mas você não foi tão convincente assim depois das primeiras desculpas esfarrapadas – já esperava depois delas, não acreditar nas próximas.

Empresário publicitário, quase trinta, escritor, descolado, independente, popular e eu dividia você com os cigarros, as cervejas, seus negócios, seus acessos de criatividade e todos os seus amigos igualmente alternativos e isso não era de todo mal, só não conseguíamos ficar sozinhos em lugar algum da cidade, a não ser que nos escondêssemos, era o que fazíamos. E nessas horas era bom, “amor adolescente aos quase trinta”, era isso o que você sentia, pelo menos era o que dizia extasiado depois de tanto correr e me beijar ao mesmo tempo, procurando lacunas nas ruas e bares da cidade onde ninguém pudesse nos enxergar.

Mas uma hora eu tive que procurar esses lugares sozinha, quando comecei a sair sem você e as pessoas faziam a mesma pergunta, querendo descobrir onde estava.

Eu também queria saber onde estava, mas ninguém sabia que eu não sabia. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Você pode entrar na conversa...