domingo, 27 de janeiro de 2013

Novo Blog!!

A partir de agora, as postagens serão feitas no endereço:BREVES ROTEIROS

Mudei o nome e atualizei o template, como disse um amigo meu, para algo mais maduro, assim como as próprias postagens.

Espero que continuem acompanhando.

Att.
Claudinha Santos

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sensorial


"Qualquer musica vira trilha sonora exclusiva, por um detalhe compatível ou coisa outra qualquer. 


Só não leve essa fato como falta de critério, é que desejo ter uma musica pra cada momento, também não pense que posso esquecer e por isso quero algo que me faça lembrar, só quero que seja bonito em qualquer sentido, no tato, no olfato, na audição, no paladar. 



Todas as formas de expressão, ainda assim, pouco serão, para explicar o que se passa por dentro. Por exemplo, quando a visão é o sentido que nos conecta e uma música começa a tocar, quem se arrisca a explicar?"
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Coisas de homem

Faz cara de cúmplice e quase revela os meus segredos na mesa, ainda que em silêncio. A sala de jantar está cheia de visitas - não como de costume, hoje é um momento atípico no meu apartamento. Estávamos de repente sentados um ao lado do outro, ele então sorri leve e me deixa insegura. Segura meu braço guiando meus passos até o corredor no fim da sala, não passa ninguém, não podem nos ver ou nos ouvir aqui, ele conhece bem o caminho:

_O que quer?
_Incomodada comigo? Posso ir embora se quiser, afinal, a casa é sua.
_Só não o esperava para o jantar, hoje...
_Depois de ontem?
_É, depois de ontem. Homens costumam demorar com essas coisas então seria compreensivo um sumiço temporário com uma aparição inesperada daqui a algum tempo.
_Não entendo vocês mulheres. Faço jus as regras "isso é bem coisa de homem" em um tom agressivo, fujo às regras "isso não é coisa de homem", em um tom mais agressivo ainda. As duas opções parecem ruins.

Enquanto passa as mãos nos cabelos escuros, olha pela janela no fim do mesmo corredor, do lado a porta do meu quarto.

_Não achei ruim, achei ruim porque foi hoje. Eu poderia ter fechado a porta na sua cara sem explicações, seria mal educada e você não me entenderia, mas daí a ficar pro jantar? Deixei que entrasse, pensei que fosse mais esperto, não conseguiu entender o que se passa naquela sala?
_Família?
_Família que eu não vejo a um bom tempo e que vai fazer perguntas sobre você, sobre nós, sobre o que eu nem sei o que é ou o que pode ser.

Seu sorriso desavisado aterriza e eu me sinto calma. Ainda escondidos do mundo naquele corredor ele me pega pelo braço de novo, chega perto até sentir seu hálito, sua respiração agora ainda mais calma e ele se faz. É cena, não beija, chega bem perto, mas não beija.

_Não estou pronto para perguntas agora. Isso é "coisa de homem", não é? rsrsrs

Dá pra sentir sua ironia ao mesmo tempo em que respiro sua beleza.

_Aposto que sim.

Voltamos a sala, sento no meu lugar de novo, me concentro no jantar e ouço a porta bater.

_Filha, o moço bonito foi embora. Vocês brigaram? Esses namoros de hoje em dia não resistem nem a um jantar de família mais.
_Mãe, ele não é meu namorado. 

"Não ainda", penso eu.

_Não? Pensei que fosse, pelo jeito como ele olhava pra você.
_Não. 
_Então porque ele olhava pra você daquele jeito? Ele gosta de você, então.
_Não. É só coisa de homem, mãe. Somos amigos.
_Coisa de homem. É... Eles sempre querem conquistar, não escapa nem as amigas.
_É, coisa de homem.

O comportamento humano é tendencioso. Às vezes.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Frase

"E de repente eu percebi que a madrugada era o meu dia."
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Meu passado é sempre tão acessível

"Não, ele não me esqueceu, sorriu com a mesma travessura de sempre, fingiu surpresa - mas me olhava de longe - , pronunciou meu nome só pra chamar atenção, falou alguma coisa do tipo 'não lembra mais de mim, garota?' ou qualquer outra frase que pudesse denotar a minha falta de atenção nele naquele momento e naquele lugar comum, festejou a minha presença, declarou a percepção da minha ausência em sua vida nos últimos anos, falou do amor de agora na sua vida, me viu sorrir de medo por não saber o que dizer, o abracei de novo só pra acreditar, lembramos qualquer episódio insignificante de antes, nos despedimos e eu fiquei ali, estática. 

E depois, tinha um desconhecido simpático na minha frente, seguindo a fila do pagamento, quase que me abraçou pra tentar sentir o que eu sentia, meus olhos marejados de lembranças pequenas, minha boca carregando um sorriso que eu não conseguia cessar, meu passado pareceu presente. 

Preferi, depois do episódio, voltar a minha vida com um futuro próspero, mas sei muito bem onde fica o meu passado, bem lá dentro no fundo do peito, me relembrando as lições que me fizeram ser o que sou, que me ensinaram a ser mais forte diante dos 'nãos' dessa vida, diante dos acessos restritos, das limitações.

Não, ele não me esqueceu, mas bem que poderia não me trazer lembranças."
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